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Juliano Loureiro • 16 de julho de 2020

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A Academia Brasileira de Letras é uma das mais antigas entidades culturais do Brasil. Foi fundada há mais de 120 anos por grandes nomes da literatura nacional. E, neste artigo, falo um pouco sobre a origem, ocupantes das 40 cadeiras e curiosidades da ABL. Vamos lá?

O que é a Academia Brasileira de Letras

A Academia Brasileira de Letras é uma instituição literária centenária, fundada em 20 de julho de 1897 pelos escritores de maior renome na época. São os fundadores: Machado de Assis, Lúcio de Mendonça, Inglês de Sousa, Olavo Bilac, Afonso Celso, Graça Aranha, Medeiros e Albuquerque, Joaquim Nabuco, Teixeira de Melo, Visconde de Taunay e Ruy Barbosa.


O objetivo da Academia Brasileira de Letras, ou simplesmente ABL, é o cultivo da língua portuguesa e da literatura brasileira. Possui um total de 40 titulares efetivos perpétuos - que ocupam as famosas cadeira-, além de 20 estrangeiros (membros correspondentes). Desse total de efetivos, 25% devem morar na cidade onde é residida a ABL. Atualmente, a sede é na cidade do Rio de Janeiro.

Origem e primeiros membros da ABL

O surgimento da Academia Brasileira de Letras deu-se à partir da iniciativa de Lúcio de Mendonça, em 1896. Junto com Lúcio, demais fundadores e outros membros, as 40 cadeiras foram ocupadas.


Inicialmente, por falta de recursos financeiros, as reuniões da ABL ocorriam em alguns lugares provisórios, como no antigo Ginásio Nacional, no Salão Nobre do Ministério do Interior e no salão do Real Gabinete Português de Leitura.


Somente em 1904 passou a ter um espaço próprio, a ala esquerda do Silogeu Brasileiro, um prédio governamental.


Os membros fundadores da Academia e suas respectivas cadeiras são:


  • Luís Murat - Cadeira 1;
  • Coelho Neto - Cadeira 2;
  • Filinto de Almeida - Cadeira 3;
  • Aluísio de Azevedo - Cadeira 4;
  • Raimundo Correia - Cadeira 5;
  • Teixeira de Melo - Cadeira 6;
  • Valentim Magalhães - Cadeira 7;
  • Alberto de Oliveira - Cadeira 8;
  • Carlos Magalhães de Azeredo - Cadeira 9;
  • Ruy Barbosa - Cadeira 10;
  • Lúcio de Mendonça - Cadeira 11;
  • Urbano Duarte - Cadeira 12;
  • Visconde de Taunay - Cadeira 13;
  • Clóvis Beviláqua - Cadeira 14;
  • Olavo Bilac - Cadeira 15;
  • Araripe Júnior - Cadeira 16;
  • Sílvio Romero - Cadeira 17;
  • José Veríssimo - Cadeira 18;
  • Alcindo Guanabara - Cadeira 19;
  • Salvador de Mendonça - Cadeira 20;
  • José do Patrocínio - Cadeira 21;
  • Medeiros e Albuquerque - Cadeira 22;
  • Machado de Assis - Cadeira 23;
  • Garcia Redondo - Cadeira 24;
  • Franklin Dória - Cadeira 25;
  • Guimarães Passos - Cadeira 26;
  • Joaquim Nabuco - Cadeira 27;
  • Inglês de Souza - Cadeira 28;
  • Artur Azevedo - Cadeira 29;
  • Pedro Rabelo - Cadeira 30;
  • Guimarães Júnior - Cadeira 31;
  • Carlos de Laet - Cadeira 32;
  • Domício da Gama - Cadeira 33;
  • Pereira da Silva - Cadeira 34;
  • Rodrigo Otávio - Cadeira 35;
  • Afonso Celso - Cadeira 36;
  • Sílva Ramos - Cadeira 37;
  • Graça Aranha - Cadeira 38;
  • Oliveira Lima - Cadeira 39;
  • Eduardo Prado - Cadeira 40.
membros-academia-brasileira-de-letras

Na foto acima temos "A Panelinha", como ficou conhecido o grupo de escritores.


Em pé: Rodolfo Amoedo, Artur Azevedo, Inglês de Sousa, Olavo Bilac, José Veríssimo, Sousa Bandeira, Filinto de Almeida, Guimarães Passos, Valentim Magalhães, Rodolfo Bernadelli, Rodrigo Octavio e Heitor Peixoto.


Sentados: João Ribeiro, Machado de Assis, Lúcio de Mendonça e Silva Ramos.

Primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras

Machado de Assis foi eleito o primeiro presidente da academia e também nomeado como "presidente perpétuo". A sua gestão foi dos anos de 1897-1908. Ao todo, a Academia Brasileira de Letras já teve 53 presidentes e atualmente é presidida pelo Marco Lucchesi - atual ocupante da Cadeira 15 (desde 2011).

Atuais "imortais" da Academia Brasileira de Letras

Atualmente a academia possui 2 cadeiras vagas. Abaixo, segue lista dos "imortais" da ABL até o presente momento de publicação deste artigo:


  • Ana Maria Machado - Cadeira 1;
  • Tarcísio Padilha - Cadeira 2;
  • Joaquim Falcão - Cadeira 3;
  • Carlos Nejar - Cadeira 4;
  • Ailton Krenak - Cadeira 5;
  • Cícero Sandroni - Cadeira 6;
  • Cacá Diegues - Cadeira 7;
  • Cleonice Berardinelli - Cadeira 8;
  • Alberto da Costa e Silva - Cadeira 9;
  • Rosiska Darcy de Oliveira - Cadeira 10;
  • Ignácio de Loyola Lopes Brandão - Cadeira 11;
  • Alfredo Bose - Cadeira 12;
  • Sérgio Paulo Roaunet - Cadeira 13;
  • Celso Lafer - Cadeira 14;
  • Marco Lucchesi - Cadeira 15;
  • VAGO - Cadeira 16;
  • Fernanda Montenegro - Cadeira 17;
  • Arnaldo Niskier - Cadeira 18;
  • Antonio Carlos Secchin - Cadeira 19;
  • Gilberto Gil - Cadeira 20;
  • Paulo Coelho - Cadeira 21;
  • João Almino - Cadeira 22;
  • Antônio Torres - Cadeira 23;
  • Geraldo Carneiro - Cadeira 24;
  • Alberto Venancio Filho - Cadeira 25;
  • Marcos Vilaça - Cadeira 26;
  • Alberto Cícero - Cadeira 27;
  • Domício Proença Filho - Cadeira 28;
  • Geraldo Holanda Cavalcanti - Cadeira 29;
  • Nélida Piñon - Cadeira 30;
  • Merval Pereira - Cadeira 31;
  • Zuenir Ventura - Cadeira 32;
  • Evanildo Cavalcante Bechara - Cadeira 33;
  • Evaldo Cabral de Mello - Cadeira 34;
  • Cândido Mendes - Cadeira 35;
  • Fernando Henrique Cardoso - Cadeira 36;
  • Arno Wehling - Cadeira 37;
  • José Sarney - Cadeira 38;
  • Marco Maciel - Cadeira 39;
  • Edmar Bacha - Cadeira 40.

Como ser um membro da Academia Brasileira de Letras

Na teoria, para se tornar membro da Academia, de acordo com o estatuto, é estabelecido que "para alguém candidatar-se é preciso ser brasileiro nato e ter publicado, em qualquer gênero da literatura, obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livros de valor literário".


Todavia, não é tão fácil como parece. Em primeiro lugar, o cargo ocupado pelos atuais membros é vitalício, inspiração vinda da Academia Francesa. Além do mais, são selecionados aqueles que possuem vasta carreira literária ou influência/importância política. Não obstante, Fernando Henrique Cardoso e José Sarney ocupam as Cadeiras 36 e 38, respectivamente. Este último, por sinal, é o membro mais antigo da Academia, posição ocupada desde 1980.

Grandes nomes que foram "esquecidos"

Apesar de ser recheada de grandes nomes ao longo dos mais de 120 anos, grandes nomes da literatura brasileira nunca ocuparam uma cadeira da Academia, tais como:  Lima Barreto, Monteiro Lobato, Carlos Drummond de Andrade, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Júnior, Graciliano Ramos, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Vinícius de Moraes, Erico Verissimo, Mário Quintana e Paulo Leminski.

O que a ABL faz na atualidade

Recheada de controvérsias e críticas, atualmente a Academia ainda preza pelos mesmo valores da época de sua fundação: um instituição cultural com o objetivo de cultuar a língua e literatura nacional.


De acordo com a própria Academia, a função de cada um dos imortais é preservar a língua e a literatura brasileiras. Isso acontece por meio de reuniões recorrentes, nas quais os escritores discutem as atividades a serem realizadas pela ABL durante o ano, como palestras, oficinas e círculos literários.

Como a Academia se sustenta?

A Academia Brasileira de Letras é uma instituição privada e a sua principal fonte de renda provém de aluguéis de um prédio comercial que fica ao lado de sua sede, além de diversas aplicações financeiras.

Prêmios entregues pela entidade

Desde 1909 a ABL agracia personalidades com prêmio literários. E, desde 1998, à partir da aprovação da reforma regimental, a Academia passou a conceder, todos os anos os prêmios: 


  • Prêmio Machado de Assis, para conjunto de obras;
  • Prêmio ABL de Poesia;
  • Prêmio ABL de Ficção;
  • Prêmio ABL de Ensaio e
  • Prêmio ABL de Literatura Infanto-juvenil.


 Recentemente foram criados os Prêmios ABL de Tradução e ABL de História e Ciências Sociais. Com outras periodicidades, há a distribuição de outras premiações.


Chegamos ao fim do nosso artigo. Gostou de aprender um pouco mais sobre a Academia Brasileira de Letras? Deixe nos comentários a sua impressão.

Um homem com tatuagens senta-se à mesa com lucas remando livros

Juliano Loureiro; escritor, profissional de marketing e produtor de conteúdos literários.


Criei o Bingo em 2019 para compartilhar conteúdos literários com outros escritores, que também têm dúvidas sobre como escrever e publicar um livro. 


Já escrevi mais de 900 artigos, além de diversos e-books gratuitos. Na minha jornada literária, publiquei 6 livros, sendo 3 da série pós-apocalíptica "Corpos Amarelos".


Também sou criador do Pod Ler e Escrever, podcast literário com mais de 200 episódios publicados. 


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