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Juliano Loureiro • 3 de abril de 2025

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Quando pensamos em narradores, os mais comuns que vêm à mente são o narrador em primeira pessoa (que conta a história como um personagem) e o narrador em terceira pessoa (onisciente ou observador).


Mas a literatura é um campo vasto e cheio de possibilidades, e existem formas menos convencionais de narrar uma história que podem trazer originalidade e impacto à sua escrita.


Neste post, vamos explorar dois narradores incomuns—a segunda pessoa e a narrativa mista—e como você pode usá-los para criar histórias memoráveis.

1. Narrador em segunda pessoa: "você" no centro da ação

O narrador em segunda pessoa é aquele que se dirige diretamente ao leitor ou a um personagem usando o pronome "você". Esse estilo cria uma imersão única, como se o leitor estivesse vivendo a história.

Como usar o narrador em segunda pessoa

  • Jogos e Narrativas Interativas: muitos livros de escolha sua própria aventura usam a segunda pessoa para envolver o leitor nas decisões.
  • Efeito de Imersão: pode ser usado para criar uma sensação de intimidade ou desconforto, como em "A Torre Negra V: Lobos de Calla", de Stephen King, ou "Bright Lights, Big City", de Jay McInerney.
  • Tons Poéticos ou Experimentais: autores como Italo Calvino ("Se um Viajante numa Noite de Inverno") usam a segunda pessoa para brincar com a relação entre leitor e texto.


Mas, atenção: esse tipo de narração pode ser cansativo se prolongado demais, então é importante usá-lo com propósito—seja para criar identificação, estranhamento ou quebrar a quarta parede.

2. Narrativa mista: alternando entre vozes

A narrativa mista acontece quando um livro alterna entre diferentes tipos de narradores—por exemplo, trechos em primeira pessoa intercalados com terceira pessoa, ou até mesmo segunda pessoa em momentos-chave.

Como usar diversos narradores

  • Mostrar Diferentes Perspectivas: em "O Caso dos Dez Negrinhos/E não sobrou nenhum" (Agatha Christie), a alternância entre narração em terceira pessoa e diálogos intensos ajuda a construir suspense.
  • Destacar Memórias e Realidades Distintas: em "O Sol é para Todos", Harper Lee usa a primeira pessoa (Scout adulta) e a terceira pessoa (narração das lembranças infantis) para criar camadas emocionais.
  • Experimentos Literários: autores como David Mitchell ("Cloud Atlas") e José Saramago ("Ensaio sobre a Cegueira") misturam vozes narrativas para explorar temas complexos.


Atenção: a alternância de narradores exige cuidado para não confundir o leitor. É importante que cada voz tenha uma razão clara para existir e que as transições sejam fluidas.

Por que experimentar narradores incomuns?

  • Originalidade: fugir do convencional pode tornar sua história mais marcante.
  • Impacto Emocional: a segunda pessoa pode gerar identificação imediata, enquanto a narrativa mista aprofunda a complexidade dos personagens.
  • Liberdade Criativa: esses estilos permitem brincar com estrutura, tempo e perspectiva de formas inovadoras.

Dicas práticas para escrever com narradores incomuns

  1. Tenha um propósito: não use um narrador diferente só por ser "bonito". Pense no efeito que quer causar.
  2. Teste em contos curtos: antes de aplicar em um romance, experimente em narrativas breves.
  3. Leia obras que fazem isso bem:
  • Segunda pessoa: "Você" (Austin Wright), "A Queda" (Albert Camus).
  • Narrativa mista: "O Jogo da Amarelinha" (Cortázar), "A História Secreta" (Donna Tartt).

Conclusão

Narradores incomuns são ferramentas poderosas para quem quer contar histórias de forma inovadora. Seja colocando o leitor no papel do protagonista ou mesclando vozes para enriquecer a trama, explorar essas técnicas pode ser o diferencial que sua narrativa precisa.


E você? Já experimentou escrever em segunda pessoa ou com narradores mistos? Compartilhe suas experiências nos comentários!


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Um homem com tatuagens senta-se à mesa com lucas remando livros

Juliano Loureiro; escritor, profissional de marketing e produtor de conteúdos literários.


Criei o Bingo em 2019 para compartilhar conteúdos literários com outros escritores, que também têm dúvidas sobre como escrever e publicar um livro. 


Já escrevi mais de 900 artigos, além de diversos e-books gratuitos. Na minha jornada literária, publiquei 6 livros, sendo 3 da série pós-apocalíptica "Corpos Amarelos".


Também sou criador do Pod Ler e Escrever, podcast literário com mais de 200 episódios publicados. 


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